RAUL PROENÇAOS SINOS
Raul Proença
OS SINOS
(Poesia narrativa)
ALCOBAÇA Typographia e Papelaria de Antonio M. d'Oliveira Rua de Santo Antonio, 14, 16 e 18
1908.
A João Carlos de Pina, artista talentoso e honesto
A ti dedico esta poesia, meu caro amigo, para que assim fique memorada a nossa convivencia intelectual, as longas palestras em que estabelecemos a communhão dos mesmos Sonhos.
É a primeira poesia narrativa que escrevo, tendo ficado sempre no dominio da poesia subjectiva, quer combativa, quer meramente psichologica. D'aqui e do meu fraco valor, a imperfeição que lhe has de achar.
Imperfeita, comtudo, t'a dedico e offereço.
20 dezembro 1907.
Raul Proença.
A T...
Nosso amor começou a quando o Outono, Quando as arv'res se despem da folhagem, Numa tristeza amarga que faz sôno, E mais fria e mais muda é a paisagem.
Começou quando avança a Sombra triste, E foi a brisa arripiante e agreste Que trouxe essas palavras que proferiste E o primeiro sorriso que me déste.
Que admira pois que o nosso amor tão largo Seja mais infeliz que um rei sem throno, Se o trouxe o Inverno no inicial lethargo?!
E temendo o... eu desejo o e ambiciôno o, Como te quero, ó lindo sonho amargo! Como te amo, meu pobre amor do outono!